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26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo finaliza com público recorde e sob o olhar português

A edição já é considerada a ‘Bienal das Bienais’, por visitantes e expositores.  Público 10% maior festejou a volta ao formato presencial, e 72,5% se dirigiu à grande festa literária decididos a adquirir livros e ver de perto seus autores preferidos, com grau de satisfação de 90,3%.

Confira o que rolou nos 9 dias e o que foi destaque na “Bienal das Bienais”:

O BRASIL SOB O OLHAR PORTUGUÊSO autor português Valter Hugo Mãe lançou o livro “As doenças do Brasil” (Biblioteca Azul). Na contramão da história, ele atenta para as mazelas deixadas pela herança cultural dos colonizadores, ao fazer uma análise profunda sobre o melhor do País que, de acordo com o autor, é justamente a transmissão de saberes dos povos ancestrais. “O Brasil deve se render ao esplendor das etnias originárias do seu território e trabalhar a auto estima”, ensina Hugo Mãe, para quem a colonização foi uma efetiva atrocidade.

Também presente na palestra de lançamento do livro, Ailton Krenak, que propaga a sua própria origem indígena, provocou a plateia ao intitular bárbaro o agir coletivo que normaliza a violência e o discurso da exclusão. Também chamou de invenção europeia a tentativa de agredir a identidade nacional com um modelo europeu, tornando o conjunto da sociedade brasileira uma invenção do Velho Mundo e sugeriu um esforço no sentido de se fazer uma antropologia reversa.

BIENAL E DIVERSIDADE

Um bate-papo sobre representatividade LGBTQIAP+ confirmou a inclusão como marca da grande festa literária. Os convidados Renan Quinalha, Samuel Gomes e Letícia Lanz abordaram temas como política, mercado de trabalho e a sociedade. Para Letícia, é necessário tomar muito cuidado com a forma com que a causa é apresentada nas redes sociais.Por todes – Majori Silva, de 23 anos, é autora e sucesso de vendas e de público no estande da Mostarda, com o livro “O Jardim de Marielle”. A obra explica as motivações, sob o olhar da autora, a respeito do fim trágico da vereadora e  ativista carioca, numa linguagem acessível até mesmo para iniciantes na leitura. A  Mostarda se destaca na Bienal pela dedicação a temas como as causas negras e indígenas. Também a versão dos livros em braile é outra iniciativa que coloca a editora na linha de frente da diversidade.

CORTELLA FALA SOBRE EMPATIA

O autor e filósofo Mário Sérgio Cortella passou pela Arena Cultural e fez a palestra “Como ensinar as crianças a terem empatia”. O filósofo afirmou que é cada vez mais importante ensinar aos mais novos a importância de olhar para o outro. “A empatia é valorizar a diferença sem que se esqueça a igualdade. Sim, somos diferentes, mas não desiguais em questão de valores ou direitos”, disse.

O escritor reforçou a importância de a criança ter bons exemplos dentro de casa. “Nós só conseguimos criar uma pessoa empática e saudosa, se isso for praticado em casa”.

VOCÊ SABE FALAR PORTUGUÊS?

A programação deste sábado no espaço infantil começou com os escritores José Santos e Paulo Netho. As crianças que os assistiram participaram de brincadeiras divertidas e aprenderam sobre a cultura de outros países que também falam português.

Os palestrantes mostraram as variedades que a língua portuguesa pode ter em lugares diferentes, como em Portugal, Moçambique, Cabo Verde e mais. Além disso, apresentaram ao público infantil o livro “Turma da Mônica – Uma Viagem a Portugal”, que ensina mais de duzentas e cinquenta palavras, como matraquilhos, peúgas, esferovite e chávena, que fazem parte do idioma, mas que brasileiros, não fazem ideia do que significam.

ALEX ATALA APRESENTA LIVRO SOBRE A MANDIOCA

O chef Alex Atala falou sobre a importância da mandioca na culinária e cozinha brasileira. Ao lado do jornalista Arnaldo Lorençato (Revista Veja), Atala apresentou aos visitantes seu livro             Mandioca: Manihot utilissima Pohl. A obra evidencia o vegetal como o principal representante da tradição alimentar brasileira.

“Gastronomia não se limita apenas ao ato de cozinhar. É necessário entrar em contato com o ingrediente e com a cultura que ele representa. Também é preciso conhecer quem maneja, quem planta, quem mexe com o produto de maneira integral. Considero a mandioca apaixonante e o ingrediente que representa a espinha dorsal da culinária brasileira e o centro da cultura daqui”, declara o chef.

LAURA: A AUTORA MIRIM

A pequena Laura Domiciano, de 7 anos, veio acompanhada da família para aproveitar sua primeira Bienal e para divulgar seu livro “Primeiro conto da Laurochinha” publicado pela editora Trilha Educacional.

A história retrata a situação de uma família tentando superar uma dificuldade. “Eu me inspirei no meu irmão e no dia que estávamos brincando com uma escova de dentes”, falou Laura.  “O livro surgiu de uma história que ela contou quando tinha 5 anos. Gostei e pedi para a mãe dela gravar o que ela falava”, contou o pai. Também disse que só decidiu passar pelo processo de transformar a história em um livro quando a filha estivesse devidamente alfabetizada e fosse capaz de reescrever, por conta própria, tudo que havia ditado.

JORNALISMO E SUAS POTÊNCIAS

“Ser jornalista no Brasil” foi um bate-papo entre Daniela Arbex, Miriam Leitão e Ilze Scamparini na Arena Cultural. Juntas, elas discutiram sobre a profissão que escolheram, as dificuldades e desafios de fazer jornalismo no Brasil. Miriam Leitão disse que a democracia precisa de um jornalismo independente. “Já estava claro que a democracia está sob ataque e esse ataque é deliberado. Não vamos deixar que se transforme em uma briga pessoal, pois fazemos parte de um coletivo”.  Para a jornalista, escritora e documentarista Daniela Arbex, é preciso construir uma memória coletiva no Brasil, um dos países mais violentos do mundo para o exercício da profissão.

Ilze Scamparini entende que, para ser jornalista, é preciso gostar da profissão, da história e ter respeito pela notícia. Ilze também contou como foi a experiência de escrever o livro “Atirem direto no meu coração”, ficção baseada em fatos reais.

BLANKA LIPINSKA NA BIENAL

Diretamente da Polônia, a autora do best-seller erótico “365 dias” visitou a Bienal Internacional do Livro de São Paulo para lançamento de seu novo livro. Foi na Arena Cultural que os fãs da autora aprenderam sobre sua história de vida, como se tornou uma das autoras mais vendidas de seu país e o sucesso por trás dos dois filmes adaptados dos livros pela Netflix.

Além disso, falou sobre o último livro de sua trilogia, “Outros 365 Dias”, que foi lançado oficialmente durante o evento. Ao final, a polonesa realizou uma sessão de autógrafos em parceria com a Buzz Editora.

CORDEL E SAÚDE, A RIMA QUE SALVA

O que a manifestação cultural do cordel pode servir como ferramenta para o tratamento em pacientes com câncer. A médica oncologista, Paola Torres, pernambucana de nascimento mas que vive no Ceará, tem a resposta. Ela, que preside, desde 2020, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel e ocupa a cadeira deixada por Moraes Moreira, integra o elenco de 100 artistas que participam do Espaço Cordel e Repente na Bienal. A médica utiliza a arte do cordel de forma terapêutica nos pacientes que recorrem a ela na rede do SUS e, mesmo com parcela significativa analfabeta, consegue passar a mensagem de alento. Entre os livros que apresenta na Bienal, a autora, que foi aluna de Ariano Suassuna, estão: “Andei Por Aí – Narrativas de Uma Médica em Busca da Medicina” e “Vamos Falar Sobre Câncer?” – as duas obras da Editora IMEPH.

Luci Júdice Yizima

Jornalista e Fotógrafa
lucijornalismo@hotmail.com
(11) 99738-7200

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