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Público se emociona com o espetáculo “Os três Sobreviventes de Hiroshima” no Bunkyo

Rogerio Nagai idealizador do projeto Os Três sobreviventes de Hiroshima. (Foto: Luci Judice Yizima)

“Eu achei interessante como eles conseguiram sobreviver, num ambiente de muita tragédia e muita tristeza em perder tudo, principalmente a família. Uma coisa que devemos lembrar que a paz é um fator muito importante para a humanidade, e que nem sempre o inimigo é o culpado, mas sim a guerra. Que o mundo tem e deve se lembrar da bomba Atômica, pois ela não deve ser esquecida para que não aconteça o que aconteceu no dia 06 de agosto de 1945”, destaca e elogia a peça Artur Kazuhiro Takata de 10 anos de idade, cursa quinto ano.

O pai de Artur, Claudio Takata (Governador do Rotary Club) acrescenta que, “fiz questão de trazer o Artur para conhecer a história como foi feita a cultura da paz. A dimensão foi tão emocionante e tão forte do que a visita a Hiroshima”.

 

Artur Kazuhiro Takata acompanhados dos pais e um dos sobreviventes. (Foto: Luci Judice Yizima)

 

Já para Ronaldo Ogasawara, presidente do Rotary Saúde comenta que sua avó tem 95 anos de idade, veio como imigrante não fala sobre o assunto por vergonha e tristeza. “Já esses senhores contam sobre a Bomba Atômica com suas próprias experiências, são ativistas e manifestam pela paz com a lição de vida e superação”, ressalta Ronaldo.

 

Ronaldo Ogasawara, presidente do Rotary Saúde comenta que sua avó tem 95 anos de idade, veio como imigrante não fala sobre o assunto por vergonha e tristeza. (Foto: Luci Judice Yizima)

 

Emocionante os relatos das três pessoas que sobreviveram ao bombardeio atômico na cidade de Hiroshima no Japão, em 1945, subiram ao palco da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo, na Liberdade, em São Paulo, no espetáculo “Os Três Sobreviventes de Hiroshima”. Na peça, elas relataram suas experiências no momento do bombardeiro, além da 2ª Guerra Mundial, da imigração para o Brasil e dos dias atuais para um auditório superlotado.

 

Os três sobreviventes da Bomba de Hiroshima. (Foto: Luci Judice Yizima)

 

A trama se desenvolveu a partir da coleta e organização dos relatos dos sobreviventes trabalhando com o conceito de biodrama, uma investigação cênica da biografia. Takashi Morita, Junko Watanabe e Kunihiko Bonkohara estavam em Hiroshima na manhã de 6 de agosto de 1945, quando uma bomba atômica lançada por um avião dos Estados Unidos devastou a cidade matando mais de 140 mil pessoas já no fim da 2ª Guerra Mundial.

De acordo com Rogério Nagai, idealizador do projeto,  a peça é resultado de um ano de pesquisa. “Descobri que havia mais de 100 sobreviventes em São Paulo, tanto de Hiroshima quanto Nagasaki [também no Japão]. A partir desse momento, eu já achava que era uma memória que não deveria se perder e, pelo fato também de serem discriminados pela própria colônia japonesa no Brasil, me aguçou ainda mais o interesse em trabalhar nessa peça”, explica.

 

Rogerio Nagai idealizador do projeto Os Três sobreviventes de Hiroshima. (Foto: Luci Judice Yizima)

 

A peça faz parte do projeto Sobreviventes pela Paz, que pretende colocar sobreviventes de grandes tragédias e genocídios em cena como forma de manter a memória desses acontecimentos para que essas histórias não se repitam, com objetivo de propagar e manter a paz. Para Nagai, a narrativa da peça é um fato que desperta interesse em qualquer pessoa. “O público tem reagido de diversas formas, porque o espetáculo não é só tragédia, mostra também a trama humana e os momentos de superação dos sobreviventes”, destaca.

 

Atores prestigiaram o espétaculo Os Três sobreviventes de Hiroshima. (Foto: Luci Judice Yizima)

 

Um dos sobreviventes em cena, Kunihiko Bonkohara, de 76 anos, veio para o Brasil sem saber os costumes locais nem conhecer a língua portuguesa, mas foi bem acolhido. Ele defende a importância de resgatar as histórias para tentar salvar o planeta.

“É preciso transmitir principalmente aos jovens o perigo da bomba atômica e das usinas nucleares. Os jovens não conhecem o efeito da radiação. E preciso acabar com a bomba atômica e usinas nucleares porque a radiação já está acumulada no mundo inteiro e está modificando o DNA de todos os seres que vivem no mundo.”

Para Bonkohara, o brasileiro tem um conhecimento mediano sobre a bomba atômica. “O público fica assustado e muito sentido ao saber que ainda existem pessoas sofrendo devido aos efeitos da radiação. As pessoas que assistem à apresentação dizem que pela primeira vez sentiram o que a radiação pode causar na humanidade.”

 

 

Sobreviventes

Takashi Morita, 93 anos

Em maio de 1945, sobreviveu a um bombardeio incendiário em Tóquio, que matou mais de 100 mil pessoas. Por isso, voltou a Hiroshima para ficar com a família uma semana antes de cair a bomba atômica. Tinha 21 anos na época. Na hora do ataque, estava marchando com um pelotão de 13 soldados a 1,2 quilômetro (km) do epicentro da explosão. Viu um clarão, foi golpeado pelas costas e arremessado no chão a cerca de dez metros. Sofreu queimaduras e com a radiação e desenvolveu leucemia por ter recebido a chuva radioativa.

 

Junko Watanabe, 73 anos

Tinha 2 anos quando uma chuva radioativa a atingiu enquanto brincava com seu irmão a 18 km da explosão. Ela não se lembra do que aconteceu, e sua família escondeu o fato. Ela só descobriu que era uma sobrevivente de Hiroshima aos 38 anos. Aos 24, veio para o Brasil após se casar com um japonês que vivia aqui. Faz palestras desde 2005 contando sua história.

 

Kunihiko Bonkohara, 76 anos

Mudou-se para Hiroshima quatro meses antes do ataque. Tinha 5 anos e estava com o pai em seu escritório no momento do bombardeio, a 2 km do epicentro. Os dois ficaram feridos com estilhaços de vidro. O telhado do escritório foi arrancado pelo vento e calor e foram atingidos pela chuva radioativa. Sua mãe e sua irmã mais velha, que estavam no centro da cidade, morreram carbonizados e seus corpos nunca foram encontrados.

 

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Tooru Nagashi de Registro

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