Cinema | Teatro Cultura

Coletivo Oriente-se promove movimento de artes cênicas na busca da diversidade sem rótulos

Da esquerda para direita Edson Kameda, Ricardo Oshiro, Emília Kiyohara, Sachiko Tanaka, Cristina Sano, Keila Fuke. Foto: Luci Judice Yizima

Os atores do Coletivo Oriente-se fazem parte de um grupo de atores profissionais brasileiros com ascendência oriental, que desmistificam os rótulos que recebem das mídias. O Brasil tem uma expressiva comunidade oriental que atua em diversas áreas profissionais, porém nas produções culturais cênicas, midiáticas e audiovisuais deixa muito a desejar, isso por que os orientais são estereotipados negativamente de forma equivocada em suas atuações por produtores.

Para falar sobre o assunto, o ator Edson Kameda destaca a importância do Coletivo Oriente-se. “Começou por um manifesto e uma busca a representatividade dos atores orientais na mídia, somos brasileiros e estamos inseridos na sociedade, não queremos ser um estrangeiro dentro do Brasil”, afirma. “Acreditamos que podemos contribuir com a sociedade brasileira através de nossos trabalhos, seja no cinema, na televisão, no teatro ou na internet. Focamos em atividades que possam abordar a diversidade étnica, social ou de gênero”, enfatiza Kameda.

Da esquerda para direita Edson Kameda, Ricardo Oshiro, Emília Kiyohara, Sachiko Tanaka, Cristina Sano, Keila Fuke.. Foto: Luci Judice Yizima

De acordo com Kameda há pouca representatividade de nossa etnia nas produções culturais cênicas, considerando-se que a comunidade oriental no Brasil contribui em grande escala para o desenvolvimento do país, sendo parte integrante desse processo. “Queremos ocupar espaços nas artes cênicas (cinema, teatro, televisão) sem estereótipos, sem rótulos para sermos apenas atores profissionais brasileiros”, conclui o ator.

A atriz Cristina Sano, primeira nikkei conhecida por atuar em novelas como ‘Roda de Fogo’, ‘Bebê a Bordo’ e ‘Morde e Assopra’ da Rede Globo fala que o movimento Coletivo Oriente-se continua.  “Nós, artistas e profissionais das artes com ascendência oriental, seja japonesa, chinesa ou coreana, reivindicamos por igualdade no tratamento justo a todos os cidadãos, repugnando práticas de discriminação étnica que ocorrem em algumas produções de audiovisual que retratam o oriental de forma estereotipada, preconceituosa e distorcida da realidade”, defende Sano.

Keila Fuke, atriz, coreógrafa e diretora também dá voz ao Coletivo Oriente-se. “Somos atores brasileiros e podemos interpretar diferentes papéis como ocorre com os atores de outras etnias. Nós queremos mostrar com esse projeto, passados mais de um ano do início do movimento Coletivo Oriente-se, nossos vídeos e ações cresceram muito, são dezenas de vídeos no Youtube com mais de 300 mil visualizações. A representatividade nas redes sociais e na mídia valoriza a diversidade étnica, social e de gênero que são fundamentais para uma sociedade mais justa e harmônica”, contabiliza Fuke.

O Coletivo Oriente-se foi constituído pelos atores Edson Kameda, Ricardo Oshiro, Emilia Kiyohara, Sachiko Tanaka, Cristina Sano, Rogerio Nagai, Ulisses Sakurai, Lígia Yamaguti, Marcos Miura, Eliane Higa, Tamie Louise, Camila Aoki, Gilberto Kido, Jorge Yoshida Filho, Jui Huang,Marina Honda, Carla Passos, Maya Hasegawa, Kazue Akisue, Raquel Higa, Lizza Inoe. Porém, mais de 200 atores nikkeis e outras etnias participam do movimento.

 

 

Luci Júdice Yizima

Jornalista e Fotógrafa
lucijornalismo@hotmail.com
(11) 99738-7200

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