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Exposição itinerante “O Poder do Shojo Manga”

Desenhos japoneses revelam olhar feminino através dos mangás

 

A exposição itinerante “O  Poder do Shojo Manga” volta ao Rio de Janeiro para uma temporada no Centro Cultural da UERJ, de 15 de março a 11 de abril de 2019.

Criada pela professora Masami Toku, a mostra já participou de mais de 50 exposições, sobretudo na América do Norte e Ásia, buscando difundir a arte do mangá Shojo. Tratam-se de reproduções de desenhos produzidos especialmente para mangás japoneses publicados durante os anos 50 e 60.

As obras valorizam as personagens femininas com romantismo, revelando as aspirações das jovens japonesas da época do luxo e da elegância ocidental.

“A mostra revela a beleza do mangá Shojo no Japão e como os papéis das mulheres japonesas mudaram”, explica a professora.

O mangá Shojo nasceu no Japão durante a década de 1950, e teve seu auge no período das décadas de 1960 a 1980.

Dentro da história do mangá Shojo, é possível verificar algumas mudanças, especialmente após a década de 1970, quando o arquétipo de personagens femininos passava a ter olhos grandes que preenchem metade do rosto, geralmente usando fitas e flores em seus cabelos.

Para Miyako Maki, mangaká de mangá Shojo, aquele foi um período de extrema pobreza, em que os desenhos revelavam um mundo de sonhos. Maki desenhava, na época, roupas que gostaria que as garotas usassem, e não as roupas remendadas que eram comuns na época.

Após esse período, os temas do mangá Shojo se estenderam de romances a histórias de época, aventura e até ficção científica. Foi um período de autorrealização das protagonistas, que se tornaram o tema central das histórias, que passaram a atrair ainda mais as jovens leitoras.

Já nos anos 90, o Shojo Manga passou a se aproximar mais do Shonen Manga, que são os mangás voltados para jovens leitores masculinos. A partir dali, os personagens principais passaram a apresentar características únicas, em enredos que incluem mitos e lendas japonesas e até mesmo o amor entre dois rapazes.

 

 

 

Os artistas

Fumi Yoshinaga

Nascida em 1971, em Tóquio, estreou comercialmente com “Tsuki to Sandaru”, publicada na revista “Hanaoto”, em 1994. Dentre suas obras de maior destaque estão “Seiyou Kottou Yougashiten” (1999-2002), “Flower of Life” (2003-2007), e Ooku (2004-). Produziu, ainda, grandes séries e histórias curtas, como “Ichigen-me wa yaruki no minpou”, “Gerard to Jacques”, “Kodomo no Taion”, “Sore wo Ittara Oshimaiyo”. Há um grande tema que passa por todas as suas obras, ainda que de forma oculta, que é o de louvar a atitude das pessoas com relação à vida.

 

Moto Hagio

Nascida em 1949, em Fukuoka, estreou em 1969 com “Ruru to Mimi”, publicado na edição extra de verão da revista “Nakayoshi”. Está entre as autoras de mangá que trouxe uma grande revolução ao gênero do mangá shojo, durante a década de 70. Hagio é chamada de “A Mãe do Mundo do Mangá Shojo” e, ainda hoje, uma das artistas líderes desse universo. Segue transmitindo mensagens sobre a sociedade de maneira ora silenciosa, ora forte, através das suas obras.

 

Masako Watanabe

Nascida em 1929, em Tóquio, estreou em 1952, ilustrando para o encadernado “Shokoushi” (Wakagi Shobo). Continua até hoje contribuindo para o avanço do mangá shojo como gênero, ainda em atuação no cenário com grande vigor, sendo uma das mangakás de maior influência para as que vieram nas gerações seguintes. O erotismo e a crueldade que se escondem no fundo dos corações de todos são alguns dos elementos que atraem as leitoras para as suas obras.

 

Machiko Satonaka

Nascida 1948, em Osaka, estreou em 1964, quando seu mangá “Pia No Shozo” ganhou o 1º Prêmio Kodansha de Novos Mangás, tendo sido publicado na edição 36 da revista “Shukan Shojo Friend”. Como uma representante do mundo dos mangás, lutou para elevar a posição dessa mídia dentro da sociedade. Também chamou atenção por ter estreado com apenas 16 anos, quando ainda estava no ensino médio. A partir daí, contagiou diversas garotas que sonhavam em ser autoras de mangá na mesma geração, provocando uma explosão de mangakás talentosas. Entre suas principais obras estão “Ashita Kagayaku” (1972) e “Aries no Otometachi” (1973). O tema de suas obras é consistentemente o amor, seja de uma garota, o amor adulto ou aquele que não se importa com a morte, alegria ou tristeza provocados pelo amor.

 

Reiko Okano

Nascida 1960, em Ibaraki, estreou em 1982, com “Ester Please”, publicado na revista “Petit Flower”. Possui diversas obras de renome, como “Fancy Dance” (1984), “Ryougoku Oshare Rikishi” (1989) e “Onmyouji” (Autor original: Baku Yumemakura/1993). A autora aborda temas ligeiramente retrô e diferenciados, como monges, sumô, onmyodô, oferecendo à era atual uma experiência de leitura revigorante e cheia de charme. Como usa tanto revistas femininas como masculinas como meio de divulgar suas obras, há dúvida se é adequado categorizar suas obras como Mangá Shojo, mas é indiscutível a beleza graciosa com que os personagens se comportam, em construção de telas refinadas e foco na atmosfera das cenas.

 

Hideko Mizuno

Nascida em 1939, em Yamaguchi, estreou em 1956 com “Akakke Kouma (Pony)”, publicado na revista “Shojo Club”. Foi uma das pioneiras da revolução dos mangás shojo, na década de 70. É uma das mangakás que veio da “Tokiwa-sou”. Seu estilo era combinar o desenvolvimento audacioso das histórias dos mangás shonen, com a delicadeza e romantismo dos mangás shojo, permitindo às leitoras a oportunidade de também viver aventuras em suas histórias. Desde sua estreia, a graciosidade dos personagens que desenhava se sobressaía.

 

Suzue Miuchi

Nascida em 1951, em Osaka, estreou em 1967, com a publicação “Yama no Tsuki to Kodanuki to”, na edição de outubro da revista “Bessatsu Margaret”. É uma mestra da narrativa, que leva seus leitores numa montanha russa de emoções. O fator diversão das suas histórias, passado para as gerações seguintes, é lendário. “Harukanaru Kaze to Hikari” (1973), por exemplo, tornou-se o ponto de partida para que a revista “Bessatsu Margaret” começasse a publicar histórias de longa duração. É o caso de “Garasu no Kamen”(1976), que mesmo estando em publicação contínua por 40 anos na “Hana to Yume”, tem seus volumes encadernados sempre esgotados assim que chegam às livrarias.

 

Leiji Matsumoto

Nascido em 1938, em Fukuoka, estreou em 1954, com “Mitsubachi no Bouken”, publicado na revista “Manga Shonen”. No início da carreira, trabalhou na “Mainichi Shogakusei Shinbun Kansaiban”, onde assinava como Akira Matsumoto, seu nome verdadeiro. Desde sua estreia, a graciosidade com que desenhava insetos e animais se sobressaía. Atuou também em revistas shonen e seinen, nas quais lançou “Uchuu Senkan Yamato” (1974), “Ginga Tetsudo 999” (1977) e “Uchuu Kaizoku Captain Harlock” (1977), ficando famoso por criar animações de ficção científica.

 

Miyako Maki

Nascida em 1935, em Hyogo, estreou em 1967, no volume encadernado no estilo kashi-hon “Haha Koi Waltz” (Tokodo). Dentre suas obras expressivas de mangá shojo, estão “Shojo Sannin” (1958), “Maki no Kuchibue” (1960), “Ribon no Waltz” (1963), “Gin no Kagero” (1968), entre outras. Numa época em que aumentavam o número de mangás shojo com ambientação ocidental, ela foi no sentido contrário, especializando-se em representar a beleza reservada das garotas japonesas. Suas histórias tratavam da situação difícil das garotas que viviam no Japão empobrecido no pós-guerra, atribuindo belos sonhos a elas, o que cativou os corações das moças da época.

 

Fusako Kuramochi

Nascida em 1955, em Tóquio, estreou em 1972 com a publicação “Megane-chan no Hitorigoto”, recebendo medalha de ouro na Manga School da revista “Bessatsu Margaret”. Depois disso, continuou apoiando a revista lançando diversas obras de romance altamente refinadas, como “Itsumo Pokketo ni Chopin” (1980), “Iroha ni Konpeito” (1982), “A-GIRL” (1984), “Kiss+πr²” (1986), dentre outras. Kuramochi produzia o romance clássico dos mangás Shojo atuais. Suas histórias abordavam temas polêmicos, como “romance entre amigos de infância”, provocando emoções e um senso de simpatia revigorantes. Kuramochi é também reconhecida pelo charme com que desenha seus protagonistas masculinos. No final da década de 1990, lançou “Tennen Kokekko”, que se passa num pequeno vilarejo e gira em torno da história de amor entre Soyo, uma menina local, e Osawa, jovem que se mudou de Tóquio para lá. Sete anos após o fim da publicação, a série foi transformada em filme, o que mostra como suas obras que não perdem seu frescor.

 

Ichiko Ima

Nascida em Toyama, estreou comercialmente em “My Beautiful Green Palace”, publicada na “Comic Image Vol. 6”. Antes de sua estreia comercial, fez parte do Grupo de Pesquisa em Mangá da Universidade Cristã da Mulher de Tóquio, sob a liderança de Kumi Morikawa. Acredita-se que suas técnicas firmes tenham vindo dessa experiência. As ilustrações coloridas, com uma beleza que transmite uma “quietude deslumbrante”, captam o coração de quem as vê. Autora de grande talento, que aborda vários temas, também lançou obras de Boys Love, como “Otona no Mondai” (1995), “Boku no Yasashii Oniisan” (2005), e obras ambientadas em reinos de fantasia, como “Suna no Ue no Rakuen” (1996) e “Touzoku no Mizuzashi” (2005).

 

Akimi Yoshida

Nascida em 1956, em Tóquio, estreou em 1977 com “Chotto Fushigi na Geshukunin”, publicado na edição de março da revista “Bessatsu Shojo Comic”. Desde o início, chamou a atenção pela representação dos corpos dos personagens em proporções realistas, como os olhos pequenos, algo que pode ser considerado divergente dos mangás Shojo. Sua representação realista também inclui aspectos psicológicos dos seus personagens. “Banana Fish” (1985) e “Yasha” (2002), dentre outros, são repletos de cenas de ação, com histórias que tratam de assuntos intensos e emocionantes. São assuntos e ambientes de uma linha mais dura, como o mundo da máfia nova iorquina e biotecnologia. Ainda assim, mesmo em cenários distantes do cotidiano, os protagonistas encaram a realidade. “Sakura no Sono”, um de seus grandes sucessos, é considerada uma obra-prima, revelando os sentimentos das protagonistas de forma brilhante. Foi adaptada para o cinema em 1999, pelo diretor Shun Nakahara. A ótima repercussão levou o diretor a refazer a adaptação em 2008.

Redação

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