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Hospital Nipo-Brasileiro realiza cirurgia pioneira de Ortopedia em realidade virtual mista

Dr. Nicola Archetti Netto, autor do procedimento inédito no país. (Foto: Divulgação)

O Hospital Nipo-Brasileiro realizou com sucesso a primeira cirurgia no Brasil com uso da realidade aumentada mista em uma prótese de ombro, com o objetivo de proporcionar um melhor resultado clínico e uma maior durabilidade do implante.

Responsável por esse procedimento inédito no País, o médico especializado em Ortopedia e Traumatologia do Hospital Nipo-Brasileiro, Dr. Nicola Archetti Netto explica que, “a realidade aumentada mista é um recurso tecnológico que possibilita a produção de uma imagem estereoscópica tridimensional (holograma), combinada à visão do mundo “real””. “O hardware utilizado é o Hololens 2 da Microsoft, um óculos que o cirurgião usa durante o procedimento cirúrgico”, acrescenta.

Dr. Nicola Archetti Netto complementa que por meio do rastreamento do movimento dos olhos por uma série de câmeras infravermelhas, o dispositivo permite que o usuário interaja com hologramas criados, rastreando a posição das mãos do operador. É gerado um holograma proveniente da tomografia do ombro do paciente que será operado.

Esse modelo reproduz com exatidão a anatomia óssea, sendo utilizado no planejamento pré-operatório e durante a cirurgia, com objetivo de “guiar” o cirurgião durante o procedimento: “Essa tecnologia coloca a anatomia do paciente na mão do cirurgião”, enfatiza ele.

Com objetivo de “guiar” o cirurgião durante o procedimento. (Foto: Divulgação)
Adicionalmente, segundo ele, a grande vantagem é que seu uso apresenta um baixo custo e baixa demanda técnica, ao contrário do uso da robótica e da cirurgia navegada, que têm um custo imensamente maior, tendo a vantagem ainda de poder simular previamente o procedimento cirúrgico com imagens tridimensionais.

O equipamento ainda possui possibilidade de gerar um telemonitoramento cirúrgico, ou seja, de forma virtual em locais diferentes, cirurgiões podem interagir durante esse procedimento.

Esse software foi desenvolvido e é objeto da pesquisa realizada pelos Drs. Nicola Archetti Netto e Marcel Tamaoki, do Grupo de Ombro da Escola Paulista de Medicina e Silas Contaifer, da VCU – Virginia Commonwealth University – EUA.

Dr. Nicola Archetti Netto destaca que o entendimento da anatomia articular e da relação espacial entre as estruturas é fundamental no diagnóstico das doenças ortopédicas e o planejamento cirúrgico, por consequência, é essencial para a correta execução de qualquer procedimento ortopédico.

Esse modelo reproduz com exatidão a anatomia óssea. (Foto: Divulgação)
Tradicionalmente, essa programação é realizada utilizando radiografias e tomografias computadorizadas, ou ressonância magnética das articulações afetadas, com o objetivo de dar ao cirurgião a orientação dimensional da anatomia do paciente.

Apesar do uso desses métodos, o cirurgião é obrigado a reconstruir mentalmente um modelo tridimensional proveniente dessas imagens que são originalmente disponibilizadas na tela do computador de forma bidimensional, para aplicar no intraoperatório.

Outro fator limitante é o intervalo temporal entre a visibilização das imagens e o ato cirúrgico. Essa falta de sincronização entre as imagens e o campo cirúrgico leva a uma falha da eficiência da relação olhos-mãos, podendo interferir negativamente na performance do cirurgião.

Dessa forma, a geração de um volume tridimensional gera propriedades discriminatórias na relação espacial e as transfere para o campo cirúrgico de forma mais eficiente, por exemplo, com o uso das impressões 3D e guias próprios para os pacientes.

O uso atual da realidade virtual mista propicia uma solução simples para simular imagens tridimensionais, diminuindo o viés entre o campo cirúrgico e a visibilização.

REALIDADES

A Realidade Virtual (RV) é uma tecnologia em que o usuário é totalmente imerso em um meio artificial criado por computador, fazendo uso de um hardware em forma de um “headset”, que já está presente no nosso cotidiano através dos videogames e, de forma mais recente, na educação médica, podendo até mesmo fazer parte do chamado metaverso.

Essa tecnologia permite que haja uma imersão em um ambiente virtual com coordenação de movimentos das mãos e som, no treinamento dos mais variados procedimentos cirúrgicos.

Em contraste com a RV, a Realidade Aumentada (RA) proporciona uma sobreposição criada por computador sobre superfícies reais, proporcionando uma visão estereoscópica, que é dar à imagem plana a impressão de relevo ou volume simultaneamente em duas perspectivas diferentes, usando da mesma forma como hardware e um “headset” ou algum outro dispositivo móvel, como “smartfone” ou “tablet”.

Esse método na área da saúde pode ser usado, por exemplo, para destacar as estruturas sensíveis ou em risco durante um procedimento cirúrgico, evitando eventualmente o uso de escopia, ou técnica para visualização de estruturas em movimento em tempo real, durante alguns procedimentos e no treinamento e educação.

A Realidade Virtual Mista (RM) é a tecnologia mais recente, similar à RV e à RA, que pode produzir uma imagem estereoscópica combinando imagens com modelos tridimensionais também gerados e o mundo real. Esses modelos anatômicos são criados a partir de arquivos Dicom (Comunicação de imagens digitais em medicina) provenientes de métodos de imagem convencionais.

Essa tecnologia permite que o usuário interaja com o mundo “real” e “virtual” de forma integrada. Usando um “headset” específico, composto por várias câmeras que sincronizam os movimentos oculares permitindo que o usuário manipule os volumes tridimensionais (hologramas) formados.

Marcadores esterotáxicos (por imagem) posicionados no paciente podem, adicionalmente, propiciar a combinação das imagens gerando uma sobreposição perfeita das estruturas, podendo eventualmente dispensar recursos mais significativos, como navegadores e robôs.

Assessoria Contábil

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KARATÊ

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