Colunas Krônicas

Onde está Wally Sano?!

15/08/1996

Recentemente, marcando encontro com um colega, sob a marquise do Masp, tive dificuldade de encontrá-lo. A razão estava numa exótica e movimentada feira que existe no local.
Como não nos lembramos disso, não nos preocupamos em determinar um lugar exato sob aquele que é considerado o maior vão-livre de concreto no mundo.
Mas depois de quase meia-hora acabei o encontrando.
Sem dúvida que, durante a busca, lembrei-me de fato semelhante ocorrido comigo no Japão.
Para evitar esses contratempos parece existir em todas as cidades daquele país lugares pré-determinados, exclusivamente, a encontros. Isso tudo dentro da personalidade nipônica de se determinar as coisas!
Uma ocasião aconteceu comigo.
Os colegas da universidade marcaram uma comemoração para certa noite.
No centro da cidade! No local de sempre… “, disseram.
Alertei-os sobre minha ignorância.
— No bairro subterrâneo, na praça onde tem a fonte — esclareceu-me um deles.
— Ah! Em Sakae… sei onde fica a fonte — respondi aliviado.
Tudo combinado, cada um voltou aos seus afazeres e o dia transcorreu normalmente para mim.
À tardinha voltei para casa a fim de me preparar para o tal compromisso. Saí uma hora antes para me garantir. Peguei o metrô e desci despreocupado em Sakae, caminhando tranquilamente em direção à fonte.
Mas estranhei que à medida que avançava, ou me aproximava da fonte, aumentava o número de pessoas ali paradas.
A princípio pensei em algum evento. Em seguida, a aglomeração já ficar tão grande que precisava pedir licença para avançar e me aproximar do local marcado.
“Ainda bem que saí bem cedo para apreciar o movimento”, pensei.
Mas e agora?! Em qual lugar da praça?
Devido à multidão, circulei com muita dificuldade ao redor da fonte até encontrá-los.
Depois, fiquei sabendo que a CIDADE INTEIRA marca encontros nesse local! Praxe nipônica?!
“Bem… ao menos, é um ótimo local para se marcar encontro com aquela pessoa que não larga de seu pé e que você tanto detesta”, conclui tentando amenizar a decepção.

(Depois de mais de 30 anos, não sei se a fonte no subterrâneo de Sakae ainda é o local de
encontro de toda a população nagoiana… mas não duvido que ainda o seja.
É que o japonês ainda é muito de padronizar tudo, até encontros… rs )

Silvio Sano

- Formado em arquitetura pela Univ. Mackenzie (1974); conhece o Japão por quatro óticas diferentes (bolsista 1975, lua-de-mel 1980, Univ.Nagoya 1985/887 e decasségui 1989/1992); escritor (sete livros, sendo Kontos, Krônicas & Kanções, o último); colunista e chargista desde 1996; jornalista (2012);
- Compõe versões em português de músicas estrangeiras, em especial da japonesa;
- um dos administradores dos sites UPK, Nikkeyweb e, agora, Portal Oriente-se.
- Palestrante (tema atual = Konflitos Nikkeis, mesmo mais de um século depois);
- Tem páginas no Facebook, Twitter e Instagram e canal no Youtube
- email: silvio.sano@yahoo.com

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