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Premiê Sanae Takaichi, Kimi Onoda… e decasséguis brasileiros

Tendo sido eleita primeira-ministra do Japão, em outubro do ano passado, Sanae Takaichi, acaba de conquistar mais uma importante vitória e, dessa vez, nas eleições legislativas de 8 de fevereiro de 2026. A coalizão do Partido Liberal Democrata (PLD) que se satisfaria com maioria simples da Câmara Baixa do Parlamento, acabou obtendo 2/3 dela, ou 316 das 465 cadeiras. Com isso, a premiê garante sólido mandato para administrar o país nos próximos quatro anos. Essa vitória permitirá que avance com sua agenda conservadora, que inclui aumento dos gastos com a defesa do país, tentativa de reforma da Constituição e normas migratórias bastante rígidas.

A esta última, que atinge em cheio nossos decasséguis, mas também os imigrantes de outros países no Japão, a premiê incumbiu Kimi Onoda, para cuidar do assunto “estrangeiros e imigração”. E ela já se mostrou incisiva no que se refere à questão ilegal, a fim de atender plenamente o “Zero Imigrantes Ilegais”, defendido pela premiê, assim como à Segurança e Ordem por atos ilegais de estrangeiros.

Mas Takaichi já garantiu que estrangeiros que respeitam a lei não precisam se preocupar. Até porque reconhece a necessidade da mão de obra estrangeira devido à redução da população, para equilibrar imigração com segurança nacional. Por isso ordenou uma operação nacional para remover residentes não documentados (“ghost workers”) e instruiu o Ministro da Justiça, Hiroshi Hiraguchi, para reforçar essa fiscalização.

Na verdade, gostem uns não gostem outros… decasséguis, exs, parentes e amigos, pensando no país que vai administrar, repleto de imigrantes ilegais… principalmente de outros países, considero que a premiê esteja correta. Ao menos em teoria, porque está no começo de sua gestão. A se cumprir, de forma imparcial, o que está se propondo fazer e contando com o rigor de seus ministros, Kimi Onoda e Hiroshi Hiraguchi, acredito que fará ótima gestão… doa a quem doer… conforme também já escrevi na Krônica anterior: Sonhos Que De Cá Segui, tornando-se Pesadelos!

E deverá doer, sim, ao menos, aos que não ouviram as advertências feitas por Reimei Yoshioka e por mim, desde 1998, por nossas colunas no Notícias do Japão (depois Nipo-Brasil). Ou seja, há mais de 26 anos! Então, percebendo a utilidade delas aos decasséguis brasileiros no Japão, nos juntamos numa antologia chamada Dekassegui, com os pés no chão… no Japão, até para facilitar esse acesso. Também não foi por falta de divulgação porque, com Yoshioka, fundador do CIATE, entidade voltada a esses trabalhadores, fizemos o lançamento do livro no Museu da Imigração Japonesa no Brasil, no Bunkyô-SP. Minha abordagem era ligada à postura cidadã, ao cumprimento das leis civis e trabalhistas, em bem se relacionar com os nativos japoneses, ao aprendizado da língua japonesa, na valorização da família e à importância da educação aos filhos, ainda mais se a intenção fosse a de se radicar definitivamente no país. A de Yoshioka era dar ênfase às leis trabalhistas japonesas, mas sempre acompanhado de advertências para que as cumprissem, inclusive para que cobrassem das empreiteiras que os contratavam. Até sobre seguros (Kenko Hoken, Koseei Hoken ou Koyo Hoken), na época, Yoshioka já abordava… bem como para acidentes de trabalho e, até, sobre Imposto de Renda.

Fazíamos essas advertências porque sabíamos que, como para alguns decasséguis a prioridade era fazer logo o pé-de-meia e retornar, as empreiteiras inidôneas, aproveitando-se disso, facilmente os levariam na conversa sabotando informações trabalhistas para tirarem proveito deles.

Depois, convidado por Jhony Arai, editor-chefe da revista Gambare, publicada e distribuída no Japão, pelo jornal Tudo Bem, mantive nela uma coluna chamada Bate-Papo, de novembro de 2005 a março de 2007. Nela, conversava diretamente com os leitores-trabalhadores, como se estivesse morando lá. E teve boa repercussão porque logo entre o primeiro e o segundo artigo, a coluna recebeu 5 cartas e 21 emails dos leitores. Por isso reafirmo que não foi por falta de alerta que alguns, agora, estão preocupados com a gestão da ministra Takaichi.

Ou seja, aqueles que se portaram dentro da lei civil e trabalhista, que mantiveram relacionamentos sociais com nativos japoneses, etc., como ela afirmou, não terão do que se preocupar. Os demais, dependendo dos casos, terão de contar com a boa vontade desse novo governo para se manterem no país, a fim de se tornarem verdadeiros imigrantes… ou imigrantes verdadeiros! Né, não?!

Silvio Sano

- ARQUITETO, pela Univ. Mackenzie (1974), tendo como auge o projeto executivo da arquibancada superior do Estádio Santa Cruz (Recife), em 1981/82; ESCRITOR (sete livros, um dos quais: Corinthians, 100 Anos - Gols Ilustrados); COLUNISTA e CHARGISTA, desde 1996; JORNALISTA, com MTb desde 2012; e, COMPOSITOR (haicais e versões em português de músicas estrangeiras);
- conhece o Japão por quatro óticas diferentes (bolsista, 1975; lua-de-mel, 1980; Univ. Nagoya, 1985/87; e. decasségui, 1989/92);
- um dos administradores dos sites Nikkeyweb e Portal Oriente-se.
- Palestrante (tema atual: Konflitos Nikkeis, mesmo após mais de um século);
- tem páginas no Facebook, Twitter, Instagram e canal no Youtube
- email: silvio.sano@yahoo.com

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