No mês marcado pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, Maximu’s Embalagens Especiais mostra como a economia circular pode sair do discurso; empresa investiu mais de R$ 1 mi em tecnologia de reciclagem e reaproveita 100% das sobras de produção. Data instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente acontece em um momento de avanços e desafios para o Brasil. Pesquisa “Panorama ESG 2024”, lançada pela Amcham Brasil¹ com a participação de cerca de 3 mil executivos, aponta um crescimento de 24 pontos percentuais na adoção de práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) pelas empresas brasileiras em relação a 2023.
Ao todo, 71% das 687 empresas participantes indicaram estar em algum estágio de implementação de práticas ESG – 45% em fase inicial e 26% em estágio avançado. Ao mesmo tempo, o índice geral de reciclagem de resíduos sólidos urbanos no país ainda gira em torno de apenas 4,5%, muito abaixo da média de 16% registrada em países com desenvolvimento econômico equivalente.
Nesse contexto, a ausência de acordos globais efetivos sobre o ciclo de vida dos plásticos e as metas ainda distantes da Política Nacional de Resíduos Sólidos reforçam a urgência de iniciativas concretas do setor produtivo. Como ressalta Abrão Neto, CEO da Amcham, “as empresas brasileiras estão cada vez mais convencidas da importância da agenda de sustentabilidade, mas ainda há muito por fazer”. É justamente nessa lacuna que empresas brasileiras começam a mostrar o caminho.
A Maximu’s Embalagens Especiais, especializada no desenvolvimento de embalagens plásticas para os setores automotivo, hospitalar e eletrônico, com sede em Ribeirão Pires, no ABC Paulista, é um desses exemplos. Desde 2021, a companhia opera uma extrusora recicladora de alta tecnologia que transformou completamente sua relação com os resíduos: hoje, 100% das aparas plásticas geradas na produção retornam à linha como matéria-prima, na forma de resina de polietileno reciclado, utilizada na fabricação de plástico bolha e outros materiais de proteção.
Desde a implantação de uma extrusora recicladora, há cinco anos, a empresa já enviou para o processo de reutilização 952,5 toneladas das sobras geradas na fábrica. Com isso, 100% desses resíduos voltaram como matéria-prima para a fabricação de plástico bolha. A estratégia reduz a geração de resíduos, diminui a dependência de insumos virgens e contribui para ganhos operacionais, ambientais e econômicos.

“Iniciamos um projeto de reciclagem avançada com equipamentos de ponta que transformam resíduos plásticos em matéria-prima circular para novos produtos. Isso significa menos resíduos no meio ambiente, menor dependência de matéria-prima virgem e ganhos econômicos que fortalecem nossa autonomia produtiva”, explica o CEO da Maximu’s Embalagens Especiais, Márcio Grazino.
O investimento total, somando o equipamento e as adequações de infraestrutura para comportá-lo, ultrapassou R$ 1 milhão. O equipamento passou por adaptações específicas para lidar com o polietileno expandido, ou seja, um material leve, rico em ar e de difícil reciclagem. Com funcionamento totalmente digital, permite controle preciso do processo e alta eficiência operacional. O ciclo completo de reaproveitamento, que antes levava até 40 dias quando terceirizado, hoje é concluído em aproximadamente 24 horas.
Antes dessa iniciativa, as sobras de produção eram vendidas como sucata no mercado – e frequentemente retornavam à empresa como insumo reciclado com qualidade inferior e custo logístico elevado. Ao internalizar o processo, a Maximu’s ganhou autonomia sobre a qualidade do material reaproveitado, reduziu a dependência de fornecedores externos e blindou sua cadeia de produção contra os efeitos da escassez de matéria-prima virgem, um problema recorrente no setor.
“Nosso objetivo é mostrar que é possível produzir de forma mais consciente e com menor impacto ambiental. E não se trata apenas de economia, mas de uma mudança de cultura. Nós entendemos que o futuro da indústria passa pela sustentabilidade”, afirma Grazino.
A visão do executivo encontra respaldo no ambiente regulatório em transformação. A partir de julho de 2026, o chamado “Decreto do Plástico”², editado pelo Ministério do Meio Ambiente, obrigará fabricantes de embalagens a incorporar ao menos 22% de conteúdo reciclado em seus produtos plásticos, sob pena de multas de até R$ 50 milhões. Para o CEO da Maximu’s, a regulação aponta na direção correta, mas precisa ser acompanhada de uma mudança estrutural mais ampla.
“O plástico é fundamental para inúmeras aplicações industriais e hospitalares. O problema não está no material, mas na forma como ele é gerido. Sem incentivo à reciclagem, logística reversa e educação ambiental, continuaremos tratando sintomas, não causas. A indústria pode inovar e fazer a sua parte, mas o avanço real depende de um ambiente regulatório claro, incentivos adequados e responsabilidade compartilhada. Só assim será possível escalar soluções e gerar impacto significativo”, endossa Grazino.
A Maximu’s já planeja os próximos passos de seu plano de sustentabilidade: a adoção de insumos biodegradáveis e a instalação de painéis solares para operar com energia 100% limpa e renovável estão entre as iniciativas previstas para os próximos anos.
Sobre a Maximu’s Embalagens Especiais – Presente no mercado desde 2003, a companhia é especializada no desenvolvimento de embalagens para proteção, acolchoamento e movimentação de variados produtos, com foco em diversos segmentos, como os setores automotivo, hospitalar e eletrônico. A sede da empresa fica localizada na cidade de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo e possui filial no município de Varginha, Minas Gerais.















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