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Ossadas encontradas em construção na Liberdade resgata a história de 200 anos atrás, que nem sempre foi oriental como hoje.

Ossadas encontradas em construção na Liberdade resgata a história de 200 anos atrás. (Foto: Luci Judice Yizima)

“Quem é rei, nunca perde a majestade” esse é um ditado que se encaixa muito bem a Praça da Liberdade em São Paulo. Se hoje é movimentada, que leva uma legião de pessoas às lojinhas, símbolos, gastronomia, manifestações culturais e típicas orientais. Mas no passado levava populares a testemunhar os enforcamentos de escravos, índios e condenados à forca, no Largo da Forca, a atual Praça da Liberdade.

Há 100 metros existia o primeiro Cemitério Municipal da cidade de São Paulo, Cemitério dos Aflitos, que fez parte do cenário do bairro, porém extinto em 1858, como quando a construção do Cemitério da Consolação. Há três semanas foram encontrados sete ossadas de ao menos de 200 anos atrás,durante uma escavação de um prédio antigo para a construção de outro mais moderno, na altura do número 69 da rua Galvão Bueno, que dá fundos para a Capela dos aflito, único símbolo histórico do século XVIII, foi a protagonista para os cuidados nas escavações que, desde outubro, permitiram a arqueólogos afazerem um resgate da história de São Paulo.

Leila Maria França (Arqueóloga do IPHAN) e Lúcia Juliani, diretora da empresa A Lasca. (Foto: Luci Judice Yizima)

“A história de São Paulo não foi escrita só de bandeirantes, por letrados e barões do café, mas também haviam os excluídos, os pobres, escravos, índios e negros forros (considerados livres), e que sempre foram lembrados deforma genérica nos documentos históricos”, explica Leila Maria França, arqueóloga do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que é responsável pelos trabalhos de recolhimento das ossadas.

Essa camada que foi encontrada essas ossadas agora, foi uma camada mais profunda, e resgata a história de SP. (Foto: Luci Judice Yizima)

De acordo com a arqueóloga, por lei, obras que mexam com o subterrâneo local precisam de acompanhamento arqueológico. Foi assim que se chegou às ossadas, em parte do antigo Cemitério dos Aflitos (1775 a 1858), quadrilátero formado por Ruas Galvão Bueno, Barão de Iguape, da Glória, dos Estudantes e Radial Leste.

“Essa camada que foi encontrada essas ossadas agora, foi uma camada mais profunda, e resgata a história e mostra que a história de São Paulo não foi feita só por letrados e elites, mas por excluídos que na época não tinham voz. Mas nós arqueólogos sabemos que a nossa missão é trazer a voz desses povos excluídos,quando se consegue levantar um contexto como esse, pessoas simples que não tenham enterrados com elas nenhum bem. É como dá voz a essas pessoas que morreram anônimas, isso tudo fala muito da adversidade da população de São Paulo, pessoas que construíram a cidade”, destaca Leila.

É um material riquíssimo para entendermos um pouco mais a história de nossa sociedade, afirma Leila França. (Foto: Luci Judice Yizima)

Segundo ela, as ossadas serão levados para laboratório para serem estudados sumariamente, e posteriormente para o Centro de Arqueologia da Cidade de São Paulo que foi a instituição que garantiu a guarda desse material. “É um material riquíssimo para entendermos um pouco mais a história de nossa sociedade”,afirma Leila França. “Em um futuro por se tratar de restos de humanos, se tem pensado em dar um destino final para esses indivíduos que foram enterrados em um Campo Santo junto à Capela para que eles encontrem um destino mais compatível com a crença deles”, finaliza a arqueóloga.

Decidimos remover as ossadas para contribuir com a preservação da história da nossa cidade, comenta João Chin responsável pelo empreendimento. (Foto: Luci Judice Yizima)

“As ossadas foram encontradas ao lado da capela, cerca de 80 cm abaixo da antiga construção do prédio, feita na década de 1920. As primeiras foram encontradas ainda no início de novembro, aí paralisamos as obras e contratamos uma empresa especializada em arqueologia para iniciar realizar os estudos. Também decidimos remover as ossadas para contribuir com a preservação da história da nossa cidade”, comenta João Chin, responsável geral pelo empreendimento, que se propôs a preservar o local, até o fim dos estudos.

Luci Júdice Yizima

Jornalista e Fotógrafa
lucijornalismo@hotmail.com
(11) 99738-7200

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